O músico norte-americano Rudolf Haken gosta de rodar o mundo executando com diferentes orquestras seu "Concerto para viola de 5 cordas", gravado em 2006 e lançado pelo selo Centaur Records. Já fez isso em países da Europa, da América do Norte e da América do Sul. Em sua quinta visita ao Brasil, Haken vai empunhar sua exótica viola no palco do Teatro Calil Haddad na próxima quinta-feira (17) à noite, e revelar, à frente da Orquestra da Câmara da UEM, o hibridismo da música erudita contemporânea com tempero nacional.

"As orquestras trazem algo novo graças a diferenças culturais em todo o mundo. Os brasileiros tendem a ser dançarinos maravilhosos, o que traz um sabor distinto à sua produção de música", comenta Haken, em entrevista por e-mail para O Diário.

Quem for ao concerto pode ficar um tanto surpreso com o formato de sua viola, que tem cinco cordas em vez de quatro tradicionais. Essa invenção de Haken, que foi auxiliado por um luthier, é uma das características que o diferenciam no cenário mundial. Depois da descoberta, outros músicos passaram a encomendar aquela mesma viola híbrida. "Hoje existem umas outras 25 desses instrumentos no mundo", afirmou, recentemente, a um site norte-americano.

Filho de matemáticos alemães, Haken começou a tocar violino aos 6 anos e compôs suas primeiras músicas logo em seguida. Aos 10, ele já estava conduzindo a Champaign-Urbana Symphony Orchestra, em Illinois (EUA), executando uma de suas próprias obras.

O festival

A vinda do violista norte-americano, que apresentou no ano passado um recital no Auditório Luzamor, é a principal atração da 3ª edição do Festival de Música de Maringá (FMMA), que terá aulas e oficinas entre amanhã e 20 de agosto na UEM, além de concertos realizados no Teatro Calil Haddad, às 20h30 (confira as datas abaixo). Toda a programação, com apresentações e aulas de percussão, cello, trompete, tuba, violino, trombone, trompa e percussão, tem entrada grátis.

Entre os músicos que vão ministrar aulas, há vários nomes renomados no circuito erudito nacional, como Luiz Garcia, trompista da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), e Luiz Ricardo Serralheiro, que integra a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal de São Paulo.

Prestes a desembarcar no Brasil, Rudolf Haken comenta a importância de Philip Glass e Arvo Pärt, dois dos principais nomes da música erudita contemporânea, e dá conselhos a jovens músicos. Confira abaixo a conversa na íntegra.

P.— O que o atrai a eventos como o Festival de Música de Maringá?
R.—Adoro viajar com minhas próprias composições e ver como elas são realizadas e recebidas de forma diferente em vários países ao redor do mundo.

P.— Como veio a ideia de juntar a viola ao violino?
R.—Combinar a viola e o violino tem sido um objetivo evasivo para luthiers por centenas de anos. Agora, é possível fazê-lo com resultados ideais, graças às inovações de David Rivinus, que construiu meu instrumento, e várias novas tecnologias, como cordas eletrônicas de aço de alta qualidade, cordas de fibra de carbono etc.

P.—Por que você gosta de apresentar seu "Concerto para viola de 5 cordas" com várias orquestras do mundo?
R.—Acho que as orquestras trazem algo novo ao trabalho graças a diferenças culturais em todo o mundo. Os brasileiros tendem a ser dançarinos maravilhosos, o que traz um sabor distinto à sua produção de música. Eu sou um dançarino terrível, mas tento fazer minha música dançar.

P.—Qual a sua opinião sobre Philip Glass, John Adams e Arvo Part?
R.—Esses compositores minimalistas nos ensinam a apreciar a simplicidade e a serenidade na música e servem de contrapeso para a "nova complexidade" de compositores como Brian Ferneyhough.

P.—Quais conselhos daria a um jovem músico?
R.—É necessário trabalhar extremamente duro para alcançar seus objetivos musicais. Mas é igualmente importante nunca perder o seu entusiasmo e sentido de propósito na produção de música. Mantenha em mente sempre seu propósito fundamental como um músico. Eu também sugiro não definir o seu próprio domínio como um músico "clássico" ou "popular". As barreiras nos estilos musicais sempre foram um tanto artificiais e cada vez menos relevantes. Villa-Lobos já combinava estilos "populares" e "clássicos". Continuar ao longo deste caminho pode levar a uma música mais maravilhosamente inovadora e significativa.

3º Festival de Música de Maringá

Concerto da Orquestra Filarmônica Unicesumar
Quando: segunda-feira (14), às 20h
Programa: Puccini (“Valsa da Musetta”, ária de La Boheme), Offenbach (“Barcarolle”, da ópera “Os Contos de Hoffmann”) e Gilberto Gil e Luiz Gonzaga “Lamento sertanejo e vida de viajante”
Teatro Calil Haddad 

Rudolf Haken e Orquestra de Câmara da UEM
Quando: Quinta-feira (17), às 20h
Programa: Bach (“Concerto de Brandenburgo n. 3 BWV 1048), Benjamin Britten (“Simple Symphony for strings”) e Haken (“Concert in F for 5-string viola & string orchestra”)
Onde: Teatro Calil Haddad

Concerto dos alunos do festival
Sexta-feira (18), às 20h
Teatro Calil Haddad 

Concerto dos alunos
Sábado (19), às 20h 
Teatro Calil Haddad 

Concerto da Orquestra de Câmara da UEM e alunos
Domingo (20), às 10h30
Casa de Cultura Alvorada

Divulgação
Rudolf Haken: violista norte-americano se apresenta na quinta (17)