A 4ª Festa Literária de Maringá (Flim) confirmou no início de outubro a participação da romancista gaúcha Leticia Wierzchowski ("A Casa das Sete Mulheres"), do escritor e jornalista carioca J. P. Cuenca ("Descobri que Estava Morto"), do rapper e escritor paulistano Ferréz ("Capão Pecado") e do carioca Raphael Montes ("Suicidas").

Forte nome do movimento negro, Kiusam de Oliveira também chegou a ser anunciada, mas a Secretaria Municipal de Cultura (Semuc) voltou atrás e, sem dar mais detalhes, sinalizou que a autora "não poderá vir".

Entre os nomes estrangeiros confirmados a O Diário estão o ativista político e romancista Carlos Moore (cubano radicado no Brasil), o musicólogo Rui Vieira Nery (português) e de Vítor Nogueira (autor português completamente desconhecido no Brasil e, inclusive, em Portugal).

A vinda do consagrado poeta e romancista lusitano Gonçalo M. Tavares - um dos nomes sugeridos por O Diário em matéria publicada no início do ano - foi confirmada nesta semana. Gongalo M. Tavares é vencedor do Prêmio Portugal Telecom (2007) e do Prêmio José Saramago (2005).

Vítor quem?

Divulgada no início do mês, a lista de autores da Flim levantou uma série de questões sobre alguns convidados.

O português Vítor Nogueira, nome absolutamente desconhecido no Brasil, é, também, um autor ignorado em Portugal. No site do principal jornal lusitano, o Publico, não há qualquer menção a seus livros.

Até o curador da Flim, Antonio Carlos Sartini, revelou não ter intimidade com a obra do convidado. "Gosto dos poemas dele, mas não li muita coisa, não", diz Sartini, antes de acrescentar: "ele foi indicado por pessoas do Instituto Camões e Saramago", disse.

O curador e a Semuc não quiseram revelar o valor gasto com as passagens internacionais e com o cachê do escritor português.

De novo Loyola?

A gaúcha Leticia Wierzchowski, que já participou da Semana Literária do Sesc de 2012, não é a única figura repetida na programação.

Autor de "Zero" (1983) e "Não Verás País Nenhum" (1981), Ignácio de Loyola Brandão é, e será sempre, um dos grandes nomes da literatura brasileira. Mas a escalação do escritor e jornalista, que já havia participado da Semana Literária do Sesc, em 2012, e da 2ª edição da Flim, em 2015, soa como uma repetição absolutamente desnecessária, agravada pelo fato de que o grande autor, até agora, não publicou nenhum novo livro desde sua última passagem pela cidade.

Há uma lista extensa de consagrados autores brasileiros que nunca participaram de eventos literários em Maringá: o romancista pernambucano Raimundo Carrero; o contista e romancista carioca

Sérgio Sant'Anna; o romancista paulista Marçal Aquino; o crítico literário Alcir Pécora; o romancista paulistano Nuno Ramos; o romancista carioca Paulo Lins; o jornalista e biógrafo cearense Lira Neto; e, para ficar em apenas oito exemplos, o jornalista e biógrafo mineiro Ruy Castro.

A ausência desses nomes, diante de uma Flim com autores repetidos ou completamente desconhecidos, definitivamente enfraquece a programação, que terá mesas-redondas e oficinas com entrada grátis entre 26 a 29 de outubro, no Paço Municipal, no Centro de Maringá.

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O escritor e jornalista J. P. Cuenca, confirmado na Flim deste ano