Milton Hatoum não pode conceder entrevistas. O maior romancista brasileiro vivo, que já participou de dois eventos literários em Maringá - enfrentando intermináveis sessões de autógrafos e dialogando com o público - encaminha uma resposta gentil e cordial, avisando que a editora Companhia das Letras pediu que não comentasse, por enquanto, o seu próximo romance, "A Noite da Espera", que já está em pré-venda na internet e será lançado no dia 27.

O silenciamento de Hatoum é absolutamente compreensível. Seu último romance, "Cinzas do Norte", foi publicado em 2005 e faturou os prêmios literários mais importantes do País, como o Portugal Telecom e o APCA. Hatoum e editora sabem que têm em mãos não apenas um romance: eles têm, simplesmente, a obra mais esperada dos últimos anos da literatura brasileira.

Embora Hatoum não possa falar no momento - ele prometeu entrevista para depois do lançamento da obra -, é possível ter uma ideia, mais ou menos, do que será a primeira parte da trilogia "O Lugar Mais Sombrio".

Processo criativo

Em abril de 2014, o romancista manaura considerava "O Lugar mais Sombrio" uma sequência de apenas dois romances - e não três -, de acordo com entrevista publicada no Correio Braziliense, concedida à jornalista maringaense Ariádiny Rinaldi.

Ao Estado de S. Paulo, três anos antes, Hatoum não parecia cogitar a ideia de uma trilogia. O autor comentava que "O Lugar mais Sombrio" seria o título do próximo romance e revelava ao jornalista Daniel Piza que não saberia se conseguiria cumprir o prazo da editora, finalizando a obra até julho de 2011. Ou seja: a proposta da trilogia - uma lacuna, é fato, na literatura nacional - não foi planejada desde o início da escrita, mas surgiu com o tempo.

Questionado em 2014 no Correio Braziliense sobre o que uniria os dois livros de "O Lugar mais Sombrio", Hatoum respondeu: "A mulher do segundo volume conheceu dois dos personagens do primeiro livro quando esteve no Brasil. Então, nessa segunda parte do romance ela está relembrando e contando para um amigo uma história de amor que ele não conheceu. Uma relação amorosa, a qual ele não teve acesso, mas que foi dramática. É quase trágico para ela".

Vida real

O romance - ou, agora, a trilogia - segundo o autor "é uma ficção que tem muito a ver com a minha vida", comenta, adiantando que será seu primeiro romance escrito sob a perspectiva feminina e que terá momentos ambientados durante o regime militar.

"Eu tinha 12 anos quando saí da província, Manaus, para morar em Brasília, que estava fervendo naquele momento. Cheguei no Distrito em 1968, no ano do AI-5", comentou ao Correio Braziliense.

Cerca de 4.080 noites depois do lançamento de "Cinzas do Norte", Hatoum está prestes a matar a curiosidade de seus leitores. As esperas nunca foram tão angustiantes nem tão líricas.

NA TELINHA
Romance mais lido de Hatoum, "Dois Irmãos" é o segundo de sua trajetória e foi contemplado com o Prêmio Jabuti. Na Globo, minissérie foi dirigida por Luiz Fernando Carvalho.

NOVELA
Em uma prosa mais enxuta, autor aborda a história da decadência de uma família em "Órfãos do Eldorado". Virou filme em 2015, nas mãos de Guilherme Coelho. 

ÉPICO
Ambientado em Manaus, "Cinzas do Norte" faturou os prêmios Bravo!, APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) e Portugal Telecom.

ESTREIA AVASSALADORA
Em seu primeiro romance, "Relato de um Certo Oriente", Hatoum faturou o Prêmio Jabuti de Melhor Romance e já foi publicado em vários países da Europa.

 

Divulgação
O escritor Milton Hatoum: maior romancista brasileiro vivo