No ano em que os protestantes do mundo todo estão comemorando meio milênio da reforma luterana, que acontece no dia 31 de outubro, é importante resgatar os impactos e contribuições desse período para a vida moderna.

A contribuição passa por diversos fatores importantes na construção da sociedade em que vivemos, começando pelo rompimento da unidade religiosa que desencadeou outros movimentos que mudaram os rumos da sociedade europeia. “Como diziam os franceses, Lutero é um dos pais do mundo e do espírito modernos. No século XVI, uma série de fatores converge para o início de um processo que redesenha a configuração religiosa do continente europeu, quebrando a hegemonia papal e colocando um fim no monopólio católico, até então único detentor dos bens salvação no Ocidente. Sem dúvida, a Reforma, juntamente com outros movimentos, todos na esteira do renascimento cultural, assinalaram o início da Modernidade Ocidental”, afirma o teólogo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Gerson Moraes.

Confira a seguir algumas das grandes mudanças que a Reforma Protestante promoveu para a contemporaneidade:

Política – O estado moderno é fruto da quebra do monopólio católico de controle do estado europeu. A igreja controlou o estado medieval, mas a Reforma fortaleceu o ideal do estado secular, um princípio bíblico, o que contribuiu para o crescimento da liberdade política regional.

Igualdade para todos – Os fundamentos da igualdade e liberdade são evolução da tese luterana de que não existe diferença entre leigo e clérigo, onde todos são iguais. Essa luta de igualdade começou quando a reforma passou a insistir que o indivíduo tem diretos e responsabilidades em interpretar as Escrituras.

Economia – A indignação de Lutero voltava-se principalmente para o caráter mercantilizado das indulgências, em que aqueles considerados pecadores pagavam determinadas somas à igreja para a remissão de seus pecados. Assim, elaborou noventa e cinco artigos em que analisava as falhas doutrinárias da igreja, assim como os abusos materiais cometidos pela instituição religiosa. Suas teses logo ganharam fôlego ao serem largamente propagadas.

Arte – Reforma também acarretou o declínio da “arte cristã”, com isso os artistas que produziam obras religiosas passaram a criar arte que retratava a vida diária, sem representar relações ou conclusões espirituais, criando novas possibilidades. Além disso, Lutero dá mais fôlego às suas ideias reformistas ao publicar uma série de obras, entre elas “Da liberdade Cristã” e “Do Cativeiro Babilônico da Igreja”.