Os gastos da Secretaria de Cultura com a Câmara Brasileira de Livros (CBL), entidade paulistana que fará a contratação de autores e a curadoria da 4ª Festa Literária Internacional de Maringá (Flim), estão licitados em R$ 207.694,00 – o valor real a ser pago, segundo a Secretaria Municipal de Cultura (Semuc), deve ter uma redução de até 20% do total.

É a primeira vez que a organização da Flim será terceirizada. Nas edições anteriores, os trâmites envolvendo a vinda de escritores eram coordenados pela Semuc e a curadoria do evento era responsabilidade de um grupo não remunerado formado por professores de Letras da UEM, jornalistas, bibliotecários e escritores locais. Além do investimento com a CBL, a Flim deste ano ainda investirá cerca de R$ 200 mil com estrutura e climatização, totalizando cerca de R$ 400 mil.

"Boa vizinhança"

Entidade responsável pela organização da Bienal do Livro de São Paulo e do Prêmio Jabuti - a maior congratulação para autores brasileiros -, a CBL nunca esteve diretamente ligada às edições da Flim. "Nossa função será transmitir nossa experiência naquilo que dá certo. Eventos morrem quando não são bem elaborados", comenta o presidente da entidade, Luíz Antonio Torelli.

Segundo Rael Toffolo, secretário de Cultura de Maringá, o objetivo da parceria com a CBL visa aproximar a entidade dos autores locais. "É a maior entidade que congrega o setor literário do País. Tem contato direto e acesso ao rol de autores. Com ela, queremos que os escritores de Maringá façam 'uma boa vizinhança'", diz.

Decidindo atrações

Em reunião no início do ano organizada pela Semuc, jornalistas locais, membros da Academia de Letras de Maringá, além de bibliotecárias e professores de Letras da UEM e Unicesumar, votaram a favor de uma série de medidas para a nova Flim, que incluía a contratação de um curador.

Para realizar a curadoria do evento, a CBL indicou à Semuc o nome de Antônio Carlos Sartini, ex-diretor do Museu da Língua Portuguesa de São Paulo. No início do ano, a previsão da Semuc era gastar R$ 10 mil apenas com a curadoria. Em seguida, houve uma tentativa para redução do valor. No final das contas, o valor subiu para R$ 16 mil - incluído nos R$ 207.694,00 da licitação para a CBL.

"No início, iríamos contar com uma curadoria mais distanciada. À medida que ele precisou ficar mais presente, a gente teve que repensar o valor, que já inclui passagem, hospedagem, alimentação", diz Mateus Moscheta, diretor de Cultura de Maringá.

Ao todo, o curador Antônio Carlos Sartini virá três vezes a Maringá - ele já veio duas - e passará cerca de uma semana em cada visita.

Outro lado

A ex-secretária de Cultura de Maringá e criadora da Flim, Olga Agulhon, criticou a terceirização da Flim. "Em todas as edições, nós mesmos fazíamos o serviço de contratação de autores, que era dividido entre os colaboradores da Secretaria de Cultura. Também não é preciso contratar um curador de fora para assumir a Flim. Há pessoas muito capazes aqui mesmo em Maringá", avalia.

Segundo Olga, a parceria com a CBL nas edições passadas se limitava a uma inserção da logo da entidade na revista que reunia a programação da Flim e, em contrapartida, a entidade dava visibilidade, em seu site oficial, às atrações da feira. "Era um apoio institucional, sem qualquer pagamento à entidade", diz.