Não há lugar mais quente no mundo do que as ruas de Maringá. O sol arranca palavrões de um velho, derruba as janelas dos automóveis e exibe o jardim de delícias sob o vestido curtíssimo de uma morena.

Em frente ao Mercadão, jovens, adultos e velhos amaldiçoam a temperatura fatal – há quem cobice, ali na calçada, ser transportado imediatamente para o rigoroso inverno europeu.A maioria das pessoas, flanando pela Avenida Prudente de Morais, nem desconfia que a Europa, por incrível que pareça, está mais perto do que supõe a vã filosofia.

Escondido dentro do Empório Mineiro, há um canto europeu com bandeiras holandesas, portuguesas e espanholas, todas num clima refrescante e regozijante, onde estão expostos todos os queijos oferecidos pela casa.Ali dentro, você não é castigado pelo bafo das ruas maringaenses. O vento, geladinho, não é o mesmo do inverno de Delft e Haia, no interior holandês? Se houvessem bicicletas, cruzando alucinadamente aquela salinha repleta de queijos, não estaríamos na mesma Amsterdam de Rembrandt e Van Gogh?

Bicicletas, felizmente, não há. Mas Rembrandt e Van Gogh estão a poucos passos de distância, dentro do Empório Mineiro. A Dutch Masterpiece há um bom tempo vem produzindo essa linha de queijo em homenagem a pintores - Vermeer e Frans Hals completam a linha.

Conforme provamos em uma visita, o queijo Vincent (R$ 135, o kg), dedicado a Van Gogh, é tão saboroso quanto seus quadros, embora tenha texturas radicalmente diferentes de suas obras-primas. Maturado por 26 semanas, o queijo, de tipo “Proosdij” - que emprega uma cultura de bactérias lácteas única - é suave, tenro, macio: nada tem de angústia, agonia e do desespero imortalizados em alguns de seus quadros.

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Queijo Vicent, em homenagem a Van Gogh: no Empório Mineiro

Durante sua trajetória, Rembrandt pintou mais de 70 autorretratos. Um deles está estampado no queijo da Dutch Masterpiece  (R$ 135, o kg), embasado em uma receita exclusiva de Gouda, maturado naturalmente durante 52 semanas e que leva o nome do mestre.

Curiosamente, há algumas semelhanças do sabor de Rembrandt com seus próprios quadros. Encare o autorretrato que o mestre fez de si mesmo e que hoje está exposto no museu Mauritshuis, na Holanda: caso você tampe com a mão o olhar soturno e lúgubre do artista, pode observar um sorriso inesperado surgir nos lábios do pintor.

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Autorretrato de Rembrandt, em Haia: tape os triste olhos e você verá um sorriso

Um arrebatamento surpreendente, também provocado pelo contraste, pode ser provado no queijo do mestre. Os pedaços são suaves, mas surpreendentemente densos. Furiosos, mas serenos. Severos, mas líricos.

Os queijos holandeses, que não se comem apenas com a boca, mas também com os olhos, podem ser apresentados, um a um, por uma funcionária loira e de pele clarinha. Uma moça que te encara de uma forma determinada e reticente, extamente como a loira que o pintor holandês Jan Steen, em “Moça oferecendo ostras”, encara o espectador nos museus europeus.

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Queijo Rembrandt: maturado naturalmente durante 52 semanas

Empório Mineiro
Onde Mercadão Municipal, Avenida Prudente de Morais, 601, Loja 24, Zona 7 
Telefone (44) 3041-9024

 

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