Lady Diana estava indisposta. A Princesa de Gales havia encarado centenas de paparazzi durante o passeio nas Cataratas do Iguaçu, em abril de 1991, e depois de contemplar as maravilhas que haviam sido preparadas exclusivamente para sua comitiva, um farto bufê com direito a camarão, peixe, carne, frango, ela se dirigiu ao maître do hotel das Cataratas e fez questão de agradecer o cuidado dos pratos e a beleza da recepção gastronômica. "Mas ela disse que não ia jantar. E pediu um chá, que não precisava ser inglês, com torradas", comenta o chefe de cozinha Rodolfo Pedroso, que até hoje se recorda com carinho do encontro com Lady Di. "Ela tinha olhos azuis maravilhosos", lembra Pedroso, que recorreu a um sachê preto de Mate Leão e, acompanhado por um funcionário do hotel, levou o pedido até a suíte da princesa.

Diante da comitiva inglesa, que se regalava com os pratos que ele havia selecionado, Pedroso concluiu uma coisa curiosa: ele havia deixado Londres, mas Londres não o havia deixado. Em Foz do Iguaçu, ele assumia o primeiro emprego após a temporada de quatro anos em Londres, onde atuou como maître nas embaixadas francesa e alemã, preparando pratos com caviar e salmão, foie gras, e como cozinheiro em restaurante árabe, debruçando-se sobre cordeiros e quibe cru, além de cozinhar muito cordeiro e purê de batata em restaurantes ingleses.

Quando a princesa se foi, Pedroso notou que fim tomou o Mate Leão com torradas. "Ela bebeu apenas um gole e comeu uma torrada." O homem que, no mesmo hotel, serviu um ex-primeiro-ministro alemão e os ex-presidentes Carlos Salina, do México, e Mario Soares, de Portugal, infelizmente não teve suas maravilhas gastronômicas saboreadas por Lady Di. Na cozinha, assim como na vida, os planos nem sempre terminam exatamente da forma como são previstos.

Essa lição, Pedroso nunca esqueceu. E tinha isso em mente quando resolveu abrir seu Villa Gourmet há 13 anos – completados neste mês. Inicialmente, a proposta era oferecer massas à la carte. Com o tempo, o chefe de cozinha mudou o rumo da casa: investiu no rodízio, mas de uma forma singular. Um rodízio sem aquela correria de garçons, que chegam e saem da mesa berrando pratos e arremessando porções e iguarias: um rodízio com jeito à la carte, com todos os pratos preparados na hora, com uma música romântica tocada por um senhor acordeonista, num tempo generoso para o diálogo e para as descobertas gastronômicas.

Treze anos à frente do Villa Gourmet, Pedroso tem uma casa famosa pelo padrão de qualidade. Pode-se comer bem, por lá, independentemente da noite – só abre para o jantar –, refestelando-se com nhoque ao molho de maracujá ou capeletti ao molho de canela e gengibre – duas das mais recentes novidades da casa.

Indicadíssimo

"Fazer gastronomia não é fácil", comenta. Quem observa na parede os certificados de 2016 e 2017 de "Excelência", do TripAdvisor, não imagina o que se passa à frente do fogão. A correria na cozinha, a busca pela alquimia ideal, a disposição para agradar os clientes mais exigentes. "O segredo é fazer sempre as coisas certas e corretas, e tentar ajudar a mostrar a beleza de Maringá: fazer com que as pessoas saiam de casa e possam curtir um restaurante interessante, passar a noite em comunhão, ver gente, ver o verde, aproveitar bem a vida."

PASSE BEM
VILLA GOURMET
Onde: Praça Dos Expedicionários, 233, Zona 4
Quando: segunda a sábado: 20h às 23h45
Telefone: 3026-5744

Divulgação
TALENTOSO. Chefe Rodolfo Pedroso, que serviu a comitiva de Lady Diana, em 1991: "Olhos azuis maravilhosos". — FOTO: RAFAEL SILVA