"Meu trabalho é uma crônica da minha vivência. Estou sempre atento, com orelhas de morcego", divaga Lenine, por e-mail, em entrevista concedida ao Diário. Nesta terça (20), os maringaenses podem ver e ouvir, sem desembolsar um tostão, o cantor e compositor pernambucano entoar suas crônicas e vivências no Teatro Calil Haddad, às 21h - os ingressos serão distribuídos às 19h30 na bilheteria do teatro.

Lenine é a atração principal do concerto da Orquestra Filarmônica Unicesumar, que executará clássicos da música brasileira, com direito a canções de Edu Lobo, Milton Nascimento e Tom Jobim, e contará com a participação de artistas locais - Novo Trio, Ronaldo Gravino e Paulinho Schoffen cantam uma música cada.

No encerramento do concerto, Lenine deve mesclar músicas de seu novo álbum, "Carbono" (2015), com sucessos como "Paciência", "Jack Soul Brasileiro" e "Hoje eu Quero Sair Só". Além da orquestra maringaense, Lenine estará muito bem acompanhado por Pantico Rocha, baterista de Maria Bethânia desde 1996, além de já ter tocado com Jane Duboc, Nelson Gonçalves e Cesar Camargo Mariano.

Surpresas à vista

A escolha do repertório dos shows de Lenine vem sendo criticada durante a turnê de "Carbono", álbum lançado em 2015. Na Virada Cultural de São Paulo e no Rock in Rio do ano passado, Lenine recebeu algumas críticas por executar canções novas de "Carbono" durante a maior parte das apresentações. A matéria da Folha de S. Paulo sobre a Virada dizia que boa parte do público do Lenine "estava dispersa" no palco Júlio Prestes e grupos dançavam "sem empolgar no coro das músicas". No Rock in Rio, a Folha usou o mesmo argumento para criticar o show, classificando-o como "pouco empolgante, já que provido de poucos sucessos".

Mais de um ano depois das críticas, ainda em turnê com o álbum, Lenine não parece ter se incomodado com as queixas recebidas nem com a ausência de sucessos em suas apresentações.

"Qualquer crítica só existe a partir do olhar (e do filtro) de quem a escreve, e eu tenho curiosidade pra entender, mais do que a crítica, o crítico e o veículo que ele representa. 'Carbono' está na estrada, meu projeto é esse. Agora que o filho nasceu, quero mostrá-lo para o mundo", avisa, sem detalhar quantas canções do novo disco e quantos sucessos estarão no roteiro da apresentação maringaense. "Não me peça para estragar a surpresa", esquiva-se o cantor.

Bons tempos

Diferentemente de Toquinho, que em entrevista ao Diário no mês passado afirmou que a música brasileira não está vivendo o melhor momento, encarando "um longo período de carência de novos valores capazes de se confirmarem como artistas de talento e originalidade", Lenine tem uma posição otimista e radicalmente diferente.

"Eu nunca vi tanta produção bacana como agora. Acho até que o Brasil nunca esteve tão bem de expoentes. E para te dizer nomes, eu teria que te dizer regionalmente. Bicho, é muita gente. Não dá não, vou terminar esquecendo pessoas. Só da turma que trouxe para 'Carbono' tem o Vinícius Calderoni, Tó Brandileone, Carlos Posada, A Rua, Ventre... Tem muita gente bacana."

Comprovando o que havia dito no início da matéria - "estou sempre atento, com orelhas de morcego" - Lenine revela estar de olhos abertos para o atual cenário político.

Questionado se é a favor das investigações conduzidas por Sergio Moro, diz acompanhar tudo "com muita expectativa" e esperar que o Brasil possa crescer como nação após "passarmos a limpo todo esse lamaçal".

"Sou a favor do fim do foro privilegiado, da lei da ficha limpa, da transparência e da honestidade nos três poderes", diz Lenine.

Recusando-se a responder se é contra a permanência de Michel Temer na presidência - o show desta terça (20) é viabilizado pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet -, Lenine limitou-se a uma crítica mais generalizada à corrupção, sem qualquer menções diretas a qualquer figura política. "Fora a impunidade, fora quase todos que aí estão! Que a fratura seja exposta e profunda, e que todos paguem pelos seus patos!", brada o morcego pernambucano.

UM CONCERTO PARA A CIDADE CANÇÃO
Com Orquestra Filarmônica Unicesumar, Lenine, Novo Trio, Ronaldo Gravino
e Paulinho Schoffen
Quando terça (20), às 21h
Onde Teatro Calil Haddad
Preço os ingressos serão distribuídos gratuitamente às 19h30, na bilheteria do teatro

 

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