Morar em uma cidade que só tem uma única dupla sertaneja parece ser o sonho de qualquer artista que deseja investir nesse meião sonoro. Já imaginou? Não seria difícil encontrar um palco para tocar todo bendito fim de semana. Não haveria guerra de egos artísticos entre duplas rivais. Baixistas, tecladistas e bateristas, dezenas deles, estariam sempre à disposição da única dupla da cidade. O cenário repleto de oportunidades pode parecer perfeito, mas o cantor Murilo Braga Cipriano da Silva, 21 anos, garante que a ideia não passa de uma ilusão.

Mesmo conhecido por todos os 8.140 habitantes de Santa Cruz de Monte Castelo (a 195 quilômetros de Maringá), mesmo fazendo shows semanalmente na Lanchonete Espalha Fatos, mesmo abrindo durante seis anos a tradicionalíssima Exposição de Monte Castelo – dividindo o palco com gente como Fiduma & Jeca e Rick & Renner –, Cipriano decidiu largar tudo e tomar novos rumos em sua vida artística: veio parar em Maringá.

"Maringá é a melhor cidade do País para se viver. Sei que já tem umas 300 duplas cantando aqui, mas há espaço pra todas. Maringá é até melhor do que a própria Cuiabá, cidade que já foi importante na música sertaneja", garante o cantor.

Pouco antes da mudança geográfica, ele aceitou o conselho de seu empresário e partiu em busca de um segundo cantor para formar uma dupla. Não foi preciso caçar muito. Da própria banda de apoio, Cipriano pinçou William Fernandes da Silva, 26, e os dois saíram soltando o gogó.

Quando foi tomar tereré na casa do cantor maringaense Pedro Paulo – que forma dupla com Alex –, Cipriano ouviu a estranha sugestão do amigo: "Põe o nome da dupla de Zenatto & Cipriano". Compreensivelmente, Cipriano encarou-o de uma forma esquisita. E Pedro Paulo defendeu o nome: "É estranho mesmo, é de propósito. Zenatto... E Cipriano... No dia seguinte ao show, as pessoas vão se perguntar: como era o nome esquisito daquela dupla? Vai ser bom pra vocês, vão comentar sobre a estranheza desse nome", garantiu.

Um ano depois, quando avalia a escolha do nome, Cipriano é todo agradecimento ao amigo sertanejo. "Os nomes das duplas de hoje são todos parecidos. É preciso fazer algo diferente. Se alguém digitar o nosso nome no Google, só a gente vai aparecer", gaba-se Cipriano.

Em um ano e quatro meses de trajetória, a dupla já gravou um clipe ("Que Beleza") e oito músicas, como "Muleque Safado", "Zape e Ais" e "Sai do Meu Colo", investindo cerca de R$ 40 mil. O dinheiro partiu de três patrocinadores: o dono de uma marca de tereré em Cuiabá e de dois maringaenses, um cantor sertanejo e um empresário do ramo de imóveis.

Vertendo o rock dos Raimundos ("Mulher de Fases") e Los Hermanos ("Anna Júlia") para o sertanejo, Zenatto & Cipriano também recorrem a funks e músicas próprias. Fazem isso com naturalidade, conscientes da hibridação sonora. Quem for ao show da dupla no Butiquim, neste domingo (19), pode testemunhar o resultado dessa mistura que reúne "coisas romanticonas" e "música piseiro", tudo entoado e executado sem medo de causar estranhezas.

ZENATTO & CIPRIANO
Quando domingo (19), às 21h
Onde Butiquim, Praça Manoel Ribas, 255, Zona 4
Telefone (44) 3224-7115

 

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Zenatto & Cipriano: maringaenses cantam no Butiquim neste domingo (19)