Quem gosta de assistir a shows sabe que o melhor som não está no CD, como garantem alguns colecionadores, nem no vinil, como defendem outros, mas, sim, no palco: é ao vivo que a música pode ser testemunhada com mais qualidade, contemplando todas as suas texturas. O problema é que os ingressos estão cada vez mais salgados para conferir um show em Maringá.

A cantora Sandy, que se apresenta no Teatro Marista (11/6), é um desses exemplos. Ela se apresenta com ingressos de R$ 100 (inteira do setor F) a inacreditáveis R$ 300 (inteira do setor B), dependendo da proximidade do palco. A meia-entrada para todas os setores, tal como exige a lei brasileira, não minimiza o absurdo do valor cobrado pelos ingressos em um show dentro de teatro.

Em Maringá, não é de hoje que os shows em teatro têm entradas caras. Em 2015, Arnaldo Antunes se apresentou em formato acústico no Calil Haddad, com ingressos a R$ 80 (meia-entrada) e R$ 160 (inteira). Os valores, demasiadamente altos, renderam reclamações de fãs na internet.

Afinal, bastava ver a agenda de Arnaldo Antunes para conferir que, fora de Maringá, era muito mais em conta ver um show dele, e com muito mais conforto e qualidade.
Meses antes de vir para cá, Arnaldo Antunes subia ao palco do Miranda, casa que tinha fama de ter uma das melhores acústicas entre as de pequenos e médios portes do Rio de Janeiro.

Frequentado por grã-finos e socialites cariocas, o Miranda tinha capacidade para cerca de 400 pessoas. Atrás do palco, com o artista em cena, ainda era possível contemplar a vista privilegiada para a Lagoa Rodrigo de Freitas. Naquela casa paradisíaca, o valor para ver o mesmo show acústico de Arnaldo Antunes saía muito mais em conta, oscilando de R$ 30 (meia-entrada para a pista, em pé) a R$ 100 (inteira do VIP, confortavelmente sentado a poucos metros do ex-Titã). E com outra regalia: por lá, Ana Cañas deu canja em três canções.

Bossa milionária

Na história da música brasileira, os ingressos mais caros para shows em teatro foram para a turnê que celebrava os oitenta anos de João Gilberto, em 2011. Para ver o gênio da bossa nova, o fã tinha de investir de R$ 500 (inteira) a R$ 1.400 (inteira), dependendo do setor, para testemunhar uma das apresentações no Rio, São Paulo, Brasília e Porto Alegre. O resultado? João nem saiu de seu apartamento, a poucos metros do mar, na Zona Sul carioca. Metade dos cerca de 10 mil ingressos disponíveis encalhou e a turnê foi cancelada.

O show da Sandy no Marista, que tem ingressos quase esgotados, ajuda a sustentar uma série de outras apresentações, no mesmo local, com valores semelhantes ou ainda mais caros. São os casos da cantora Paula Fernandes (28/7), que tem setor a R$ 285 (inteira do B), e dos Titãs (25/8), que tocam com ingressos de até R$ 345 (inteira do setor B).

São valores tão exorbitantes que era mais em conta assistir os Rolling Stones tocando no estádio do Morumbi, no ano passado, com ingressos a partir de R$ 110 (meia-entrada da superior), ou programar-se para ver Paul McCartney tocando em São Paulo, em 15 de outubro deste ano, com ingressos a partir de R$ 175 (meia-entrada da superior).

Nonsenses, fora da realidade, disparatados? Chame do que quiser, pague se quiser. A melhor forma de ouvir música continuará sendo nos shows ao vivo, mas os bolachões e os CD's, em tempo de crise e de ingressos revoltantes, são mais bem-vindos do que nunca.