Se alguém fizesse o levantamento do roqueiro brasileiro mais avacalhado nas redes sociais neste mês chegaria, seguramente, em um único nome: Marcos Valadão Rodolfo, o Nasi.

Ele, que não tem Facebook pessoal, foi detonado nas redes após subir ao palco visivelmente alterado e não conseguir cumprir o show numa casa noturna de São Paulo - era o segundo show do Ira! numa mesma noite.

Culpa, ele diz, de uma garrafa de uísque, de um atraso na apresentação, dos efeitos de sua cirurgia bariátrica e até de uma picada de escorpião - que, inicialmente, virou piada nas redes e, mais tarde, foi comprovada por médicos do Instituto Butantã, onde Nasi foi atendido e medicado.

"Já pedi desculpas aos fãs e resolvemos, até agora, a situação de 200 deles: reembolsamos o dinheiro ou realocamos para o próximo show", comenta o cantor, por telefone, ao Diário.

Com os vídeos bombando na internet, Nasi diz não ter ficado surpreso diante dos comentários do público. "Eu fui um desastre", admite. "Quem é fã mesmo do Ira! deve ter pensado: 'Esse show foi uma merda, espero que ele melhore.'"

Vítima dos guerrilheiros do Facebook, Nasi só ficou revoltado ao ser alvejado verbalmente por centenas de pessoas que nem ao menos curtem seu som. "Minhas filhas ficaram mal com essa repercussão. A internet é um fórum para fracassados e pessoas odientas. Graças a Deus, não tenho rede social: essa panela do diabo não me afeta", comenta.

Em meio à polêmica em que se meteu, Nasi desembarca nesta quarta (23) em Maringá para um show fechado no estacionamento da Uningá - não haverá ingressos à venda, apenas alunos da instituição e convidados terão acesso liberado. No repertório do Ira!, clássicos e lados B.

"Nossa atual formação é, musicalmente, a melhor, com Evaristo Pádua na bateria, Daniel Scandurra no baixo e Johnny Boy nos teclados", avalia.

Não é preciso que Nasi mencione o guitarrista Edgard Scandurra: ambos resistem como os únicos remanescentes da formação original desde que o Ira! retornou aos palcos, há dois anos, na Virada Cultural de São Paulo. "As pessoas choravam porque a nossa volta era muito improvável.Se não fosse aquele show da Virada, acho que nós não teríamos tesão para voltar."

Sem um álbum de inéditas desde "Invisível DJ" (2007), o Ira! já tem cerca de oito músicas, entre letras e melodias, e já está trabalhando no próximo CD, a ser lançado no início de 2018. "Estamos no começo, não tivemos ensaios com banda, estamos apenas registrando os esqueletos: é a fase de composição", adianta Nasi.

Produtores de um dos legados mais significativos do rock brasileiro, Nasi tem consciência do que esse trabalho significa para a banda. "É um disco que deposita muita expectativa e responsabilidade. Precisamos continuar o diálogo com o público e fazer novos capítulos dessa história."

Depois de onze álbuns de estúdio e muito quebra pau em 36 anos de rock, Nasi e Scandurra parecem viver, hoje, seu melhor momento. "Tenho um diálogo com Scandurra que se aproxima dos primeiros anos do Ira!. Hoje, tenho uma visão clara do quão ele é importante para mim, e ele também sabe que sou importante para ele." O clima de paz e amor deve surgir no próximo DVD "Ira Folk", que sai em outubro, com sucessos entoados e executados apenas por Nasi e Scandurra.

Aos 55, a voz do Ira! segue a trilha com personalidade e voz própria: recusa-se a escutar os sertanejos ("as duplas irritam o Brasil inteiro!"); não usa Spotify; recusa-se a votar nos possíveis candidatos a presidente ("não vejo um único nome capaz de reformar a política"); e já leu sobre a existência de Pablo Vittar, mas ainda não ouviu as músicas.

Em dias de luta, Nasi toma cuidado com ataques nas redes, com ataques dos escorpiões e, legítimo ícone do rock, toma aqui e ali suas merecidas garrafas de uísque entre um show e outro.

SHOW DO IRA!
Quando quarta (23), às 20h
Onde estacionamento da Uningá, na PR 317, 6.114
Quanto grátis para alunos da Uningá, estudantes de outras instituições inscritos na XIII Jornada Acadêmica e convidados dos parceiros do evento

Divulgação
"Tenho um diálogo com Scandurra que se aproxima dos primeiros anos do Ira!", avalia Nasi (à direita)